PIMENTAS: ORIGEM, ESPÉCIES E UTILIZAÇÃO
Utilizadas como armas ou elementos de superstição indígena e até em artesanatos e na culinária. Conheça a origem e alguns tipos de pimentas.

Apesar de conhecidas e utilizadas há tempos nas Américas (há pelo menos 6.500 - 5.500 a.C.), se expandiu com grande velocidade por outras partes do mundo a partir do século XVI, quando o relacionamento entre as populações européias e os povos indígenas foi intensificado.

Diversos relatos da época do Brasil Colônia demonstraram o uso de pimentas na alimentação das populações indígenas. Eles também foram os primeiros a empregar a pimenta como arma, ao arremessar pó de pimenta seca contra os inimigos. Pimentas em pó eram usadas por parteiras índias, para proteger as crianças recém-nascidas contra “mau olhado”, pendurando galhos de pimenteira nos berços.

Ainda hoje a utilização das pimentas continua intensa, seja na culinária, no artesanato, na medicina alopática ou natural, em alguns casos até como uma arma de defesa.

Na culinária são amplamente valorizadas, além de consumidas frescas, podem ser processadas e utilizadas em diversas linhas de produtos na indústria de alimentos. Parte da produção brasileira de pimentas é exportada em diferentes formas, como páprica, pasta, desidratada e conservas. Também são largamente utilizados os seus pigmentos, aromas e substancias pungentes.

Por que algumas pimentas são tão ardidas? Devido às substancias chamadas capsaicinóides, mas especificamente a capsaicina, que se acumula na “placenta”, parte do fruto onde as sementes se concentram.

Quando a capsaicina entra em contato com as membranas mucosas, como a boca, o nariz e a garganta desencadeiam a sensação de ardor. Entre as respostas do organismo decorrentes do uso de doses maiores de pimentas ardidas estão: a aceleração dos batimentos cardíacos, o aumento da sudorese para reduzir a temperatura corporal, o aumento da salivação para refrescar a boca, escorrimento nasal e o aumento da velocidade do trato intestinal.

Para amenizar o ardor de pimentas muito fortes ingeridas, é comum bebermos água, porém de acordo com pesquisas essa não é uma boa idéia, pois a capsaicina é pouco solúvel em água. Recomendam ingerir leite ou sorvete, que além de conter óleo possui caseína, substâncias que vão neutralizar a picância.

Quanto o valor nutricional, são ricas em vitaminas (A, C e E), fibras, sais minerais, flavonóides e outras substâncias com propriedades antioxidantes, que podem contribuir para a redução do risco de desenvolvimento de câncer e de outras doenças crônico-degenerativas.

No Brasil, cultivam-se principalmente as pimentas do gênero Capsicum em praticamente todos os estados. Segundo a Embrapa (2008) são conhecidas mais de duas dezenas dessas espécies de pimenta, porém muitas ainda em estudo.

Algumas das espécies mais utilizadas:
Malagueta: uma das mais conhecidas e utilizadas no Brasil. Na culinária é muito apreciada em pratos à base de peixes e carnes, além de estar presente em receitas típicas, como a do famoso acarajé baiano.
Habanero: podem ser encontrados do verde escuro ao vermelho intenso, sua forma lembra um lampião. É a pimenta mais picante de que se tem conhecimento. Combinam perfeitamente com pratos à base de tomates, em molhos, marinados de frutos do mar, chutneys e picles.
Jalapeno: também é uma das pimentas mais popular no Brasil. Possui o formato cônico com coloração verde. De picância média e aroma acentuado, consumida fresca ou processada na forma de molhos, conservas e desidratada.
Pimenta-biquinho: com fruto arredondado com formato de um bico, de cor vermelho forte e picância fraca. Frequentemente empregada no preparo de molhos, peixes e carnes, além de ser muito apreciada em conservas.
Pimenta-de-cheiro: com frutos redondos e achatados, coloração amarela ou vermelha, forte aroma e picância média. Muito comercializada em conserva, e utilizada no preparo de carnes de todos os tipos, feijão, entre outros pratos.


Fontes:
- Ribeiro CSC et al. Pimentas Capsicum. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2008.
- Linguanotto NN. Dicionário gastronômico: pimentas com suas receitas. São Paulo: Boccato, 2007.
- Luz FJF, Barbosa RI, Filho HRN. Pimentas do gênero Capsicum cultivadas em Roraima, Amazônia brasileira II. Habitos e formas de uso. Acta Amaz. 2007; 37(4):561-568.

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